Doenças neurodegenerativas e células estaminais April 17, 2007
Fui, há umas semanas atrás, a uma conferência na livraria Almedina sobre “Terapia com células estaminais: que futuro para as doenças neurodegenerativas?” organizado pelo CNC. É um tema de particular importância ao qual dou especial atenção.
O que são células estaminais? As células estaminais são células extraordinárias cujo destino ainda não foi “decidido”. Podem transformar-se em vários tipos de células diferentes, através de um processo denominado “diferenciação”, tendo igualmente a capacidade de se auto-renovar e dividir indefinidamente. Nas fases iniciais do desenvolvimento humano, as células estaminais do embrião “diferenciam-se” em todos os tipos de células existentes no organismo - cérebro, ossos, coração, músculos, pele, etc. No organismo adulto, as células estaminais adultas encontram-se presentes em órgãos como a medula óssea, a pele ou o intestino, que têm um elevado grau de perda celular, requerendo uma substituição constante das suas células. Deste modo, as células estaminais adultas diferenciam-se preferencialmente em células do mesmo tipo do órgão de onde derivam.
Os cientistas estão entusiasmados com a possibilidade de controlar o espectacular poder natural destas células para curar vários tipos de doenças. Por exemplo, as doenças de Parkinson e Alzheimer resultam de lesões em grupos de determinadas células no cérebro. Ao fazer um transplante das células estaminais de um embrião para a parte do cérebro com lesões, os cientistas esperam substituir o tecido do cérebro que se perdeu.
Num futuro próximo, a investigação das células estaminais poderá revolucionar a forma de tratamento de muitas “doenças mortais” como, por exemplo, acidentes vasculares cerebrais, a diabetes, doenças cardíacas e até mesmo a paralisia.
As atitudes relativamente à utilização de células estaminais embrionárias para fins de investigação e tratamentos médicos variam de país para país. Uma vez que a utilização de embriões é uma questão controversa eticamente, os cientistas em todo o mundo estão à procura de outras fontes de células estaminais.
Ainda há pouco tempo tivemos a controversa questão do aborto no nosso país, o que pensar sobre a utilização de células estaminais embrionárias? Estaremos a retirar células que formariam um embrião, será que isso é uma forma de atentar contra uma vida em crescimento? Esta é mais uma questão que se poderia colocar nesse debate. Facto é que estaríamos a contribuir para salvar milhões de vidas!
As células estaminais encontradas na medula óssea dos adultos são uma possibilidade. Estas células têm o potencial para se “diferenciarem” em diferentes glóbulos vermelhos ao longo do ciclo da vida. Diz-se também que a gordura será uma fonte de células estaminais, o que seria juntar o útil ao agradável :).
No futuro, os cientistas esperam manipular estas células estaminais adultas para que, em vez de produzirem apenas glóbulos vermelhos possam produzir células do cérebro, fígado, coração e células nervosas.
Fala-se em Parkinson e Alzheimer particularmente, mas existem outras doenças como a ELA (esclerose lateral amiotrófica) que também afecta milhões de pessoas, haverá estudos para tratamento a curto prazo? Investigações que estejam a ser feitas nesse sentido?


