O Quarto Do Felino

Coimbra Veste-se de Negro… May 4, 2007

Filed under: Curiosidades — Raquel @ 8:22 pm

É numa quinta-feira de Maio que Coimbra se veste de negro. As ruas preenchem-se de capas negras que esvoaçam com cortes de amizade, outras ainda virgens dos caloiros que pela primeira vez a vestem, ou de “drs.” que assim o decidiram. Na minha perspectiva, é lindo de se observar! Não é imperativo que se seja estudante da academia de Coimbra para se sentir este ambiente de união, mas quem o é sente-se eufórico por aqui pertencer!

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A Serenata monumental na escadaria da Sé Velha marca o início desta festa dos estudantes. A cidade enche-se de vida, recordações, alegria e saudade juntam-se, nesta noite, à cor das fitas em riste. Não faz parte do reportório desta serenata, mas é uma das músicas que mais me marcou e marca no meu percurso coimbrão:

À meia noite ao luar
Vai p’la rua a cantar
O boémio e sonhador
E a recatada donzela
De mansinho abre a janela
À doce canção de amor

Ai como é belo
À luz da lua
Ouvir o fado
Em plena rua

Sou cantador
Apaixonado
Trinando as cordas
A cantar o fado

Dão as doze badaladas
E ao ouvir-se as guitarradas
Surge o luar que é de prata
A recatada donzela
De mansinho abre a janela
Vem ouvir a serenata

Estudantina de Coimbra

Um pouco de história: “Ao longo das gerações, gerou-se e desenvolveu-se em Coimbra um conjunto de tradições académicas ao qual se deu o nome de praxe.
Aquando da instalação da Universidade, notou-se de imediato uma diferença no viver citadino do autóctone e dos estudantes.
El-Rei D. Dinis ordenou que, quem não fosse estudante não poderia penetrar na actual “Alta” da cidade, o que corresponde à parte acima da Porta de Almedina. De igual forma, ordenou também as horas de estudo, determinadas pelo toque do sino grande da Sé, que bradava três vezes.
Desta forma se dividiu a urbe, a Alta, corresponde à parte estudantil, a Baixa era habitada por comerciantes e artesãos.O que ainda hoje persiste, inalterável, do passado é o toque do sino para as aulas. Pitorescamente foi chamado de “Cabra”, uma vez que o som emitido não era o mais querido dos estudantes. Para além de anunciar as aulas, a “Cabra”, determinava também a hora de recolher a casa para o estudante. Entre as 18:00 h e as 7:00 h nenhum estudante podia ser encontrado na rua, caso contrário, a polícia universitária (actuais archeiros), detia o estudante e conduzia-o à cadeia académica.”


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