“(…) Pela primeira vez tão perto um do outro, Luís cheirou-lhe o perfume de rosas e ela sentiu-lhe o cheiro a rapaz que já é quase homem. Os olhos de mel de Amélia fundiram-se nos castanhos dele, as respirações enlaçadas num único fôlego, os corações inflamando-se de ardor, ambos perscrutando o rosto do outro com a intensidade de quem sabe que encontrou o amor.
Incapaz de resistir, Luís inclinou-se devagar sobre ela. Foi apenas um movimento ligeiro, mas o suficiente para lhe tocar os lábios aveludados, primeiro ao de leve, como quem prova um doce, depois com sofreguidão, a gula tornada fome; eram pétalas açucaradas, gomos deliciosos que se abriam como uma flor diante do Sol. O dia fez-se noite e ambos se perderam para lá do horizonte, num paraíso de sensações e sentimentos, afogados um no outro, derretendo-se num amor incandescente. Era como se nada mais existisse no mundo; apenas havia o outro e aquele instante em que os lábios se colaram e os dois se fundiram num só.
O primeiro beijo.”
José Rodrigues dos Santos in “A vida num sopro”
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Depois tens de me emprestar esse livro. Gostei do pequeno excerto.
Também podias descrever o primeiro pontapé da Laurinha…
Beijo!
Janeiro 22nd, 2009
Já te posso emprestar! Acabei de o ler e recomendo-o vivamente. É uma história de amor inserida num contexto socio-económico vivido nos anos 30. Muito bem escrita, que nos transporta para lá…
, enquanto posso…
Para a próxima que cá vieres, já o levas!
Agora vou começar a ler o teu
Beijinhos
Fevereiro 9th, 2009
Reply to “O primeiro Beijo”