Amo-te mas não te digo…


Há relações difíceis de começar…

E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.

Fernando Pessoa

Mas um dia o sol brilhará radiante! ;)



Para ti…


Porque hoje será o último dia que comemoraremos existindo apenas nós os dois no nosso mundo, quero que saibas que sem ti o meu mundo não seria tão perfeito! Já que não posso andar por aí à procura de algo palpável e significativo, deixo este recado com o desejo de o repetir por muitos e preciosos anos!

Sem ti
O céu que construí no teu olhar
As fogueiras que acendi nos teus olhos
Teus cabelos de lágrimas de esperança

Sem ti
As palavras ardentes do orgasmo
As palavras desertas do teu corpo
E os gritos de silêncio dos teus dedos

Sem ti
Tudo isto apaga um Sol de rubras cores
E eu ficarei um astro nado morto
À procura de mim e sem remédio

Sem ti
Não tenho onde guardar os meus desejos
Porque tudo finda
A cada passo andado

Sem ti
O dia de amanhã não é possível
Dizem as minhas veias devagar

Manuel SérgioTanta Coisa Verdadeira



Amor…


rosa-vermelha-neve

“Amor, que o gesto humano na alma escreve,
Vivas faíscas me mostrou um dia,
Donde um puro cristal se derretia
Por entre vivas rosas e alva neve. (…)”

Luís de Camões



À mãe!


Hoje é o dia da mãe, e porque não há ninguém mais especial que elas, deixo aqui uma pequena delícia para todas, em especial para a minha que é uma grande mulher! Mãe, mulher, amiga, a ti devemos o que somos,… em grande parte. Um beijo muito especial para ti, minha mãe!

tulipa.jpg

POEMA À MÂE

No mais fundo de ti
Eu sei que te traí, mãe.

Tudo porque já não sou
O menino adormecido
No fundo dos teus olhos.

Tudo porque ignoras
Que há leitos onde o frio não se demora
E noites rumorosas de águas matinais.

Por isso, às vezes, as palavras que te digo
São duras, mãe,
E o nosso amor é infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas
Que apertava junto ao coração
No retrato da moldura.

Se soubesses como ainda amo as rosas,
Talvez não enchesses as horas de pesadelos.

Mas tu esqueceste muita coisa;
Esqueceste que as minhas pernas cresceram,
Que todo o meu corpo cresceu,
E até o meu coração
Ficou enorme, mãe!

Olha – queres ouvir-me? -
Às vezes ainda sou o menino
Que adormeceu nos teus olhos;

Ainda aperto contra o coração
Rosas tão brancas
Como as que tens na moldura;

Ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
No meio do laranjal…

Mas – tu sabes – a noite é enorme,
E todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
Dei às aves os meus olhos a beber.

Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo as rosas.

Boa noite. Eu vou com as aves.

Eugénio de Andrade (in “Os Amantes Sem Dinheiro”)



Desejo


Queria ser essa noite que te envolve; e
cobrir-te com o peso obscuro dos braços
que não se vêem. Um murmúrio
desceria de uma vegetação de palavras,
enrolando-se nos teus cabelos como
secretas folhas de hera num horizonte
de pálpebras. Deixarias que te olhasse
o fundo dos olhos, onde brilha
a imagem do amor. E sinto os teus dedos
soltarem-se da sombra, pedindo
o silêncio que antecede a madrugada.

Nuno Júdice (in O Estado dos Campos)



Aos Amigos – Herberto Héder


Amo devagar os amigos que são tristes com cinco dedos de cada lado.
Os amigos que enlouquecem e estão sentados, fechando os olhos,
com os livros atrás a arder para toda a eternidade.
Não os chamo, e eles voltam-se profundamente
dentro do fogo.
-Temos um talento doloroso e obscuro.
construímos um lugar de silêncio.
De paixão.

Herberto Hélder